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A Praça de Bolso do Ciclista

Praça de Bolso do Ciclista foi construída a partir de uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba e a comunidade (Foto: Maurilio Cheli/SMCS/ Divulgação)
Praça de Bolso do Ciclista foi construída a partir de uma parceria entre a Prefeitura de Curitiba e a comunidade (Foto: Maurilio Cheli/SMCS/ Divulgação)

Entre as ruas São Francisco e Presidente Farias, uma das áreas mais antigas de Curitiba, surgiu à pequena praça. Mal preenche a esquina perdida, mas chama a atenção de todos que passam pelo local.

É a primeira Praça de Bolso da cidade. Pequena como sugere o nome, reúne os aficionados por bicicletas da Associação de Ciclistas do Alto Iguaçu a Ciclo Iguaçu.

Na revista Top View, a jornalista Greyci Casagrande conta que o terreno foi cedido pela Prefeitura Municipal de Curitiba; os materiais e equipamentos utilizados na construção pela Secretaria Municipal de Obras Públicas; as plantas e as flores pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente e; a mão de obra, mutirão organizado pelos associados da Ciclo Iguaçu, cuja sede, na Bicicletaria Cultural, fica em frente. A proposta, transformar o terreno abandonado em uma espécie de sala de estar pública, onde se promovessem oficinas, shows, feiras, apresentações e eventos culturais.

A ideia surgiu há dois anos para consolidar o ponto de encontro dos ciclistas que já existia informalmente no local. Incorporada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba – Ippuc que deu início as conversações para a construção da praça.

No 3º Forum Mundial da Bicicleta, realizado em fevereiro deste ano em Curitiba, a ativista e artista plástica Mona Caron, pintou no local uma grande tulipa amarela. A simbologia da flor, polinizando a cidade com uma bicicleta, foi o incentivo que faltava para impulsionar a realização do projeto da Praça pelo Ippuc.

Para a arquiteta e professora de Urbanismo da Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PUCPR, Gilda Amaral Cassilha, a população, de forma organizada, pode intervir em decisões em que o interesse coletivo se sobreponha ao individual. Adverte, porém, que os espaços públicos são propriedade do município devendo ser cuidados e geridos pelo poder público, como foi feito entre a Prefeitura Municipal de Curitiba e a Ciclo Iguaçu.

A iniciativa remete ao resgate de uma característica tipicamente curitibana: transformar pontos de encontros em locais de convivência e interação das pessoas. Como exemplo, a Boca Maldita na Avenida Luiz Xavier, ícone da liberdade de expressão; a marquise do antigo Braz Hotel, antigo ponto de encontro de universitários; as calçadas na saída do Colégio Sion; os cafés na Rua XV de Novembro, entre eles o saudoso Alvoradinha; a feirinha do Largo da Ordem; e outros tantos mais.

Costume que, com a crescente urbanização, vêm esvaecendo, dando lugar as praças de alimentação, verdadeiros templos de consumo, dos shoppings construídos nas cidades brasileiras, das grandes, às médias e até as pequenas.

Equipamentos urbanos como a Praça de Bolso do Ciclista é que fazem de Curitiba uma cidade diferente. Que faz o curitibano apreciar e respeitar o seu lugar, ter orgulho da sua cidade e cultivar desde pequeno o sentimento de pertencimento.

A apropriação do espaço publico pelo cidadão faz com que o bem público seja respeitado e contribuí para a construção de cidades menos excludentes, participativas, com sentido de vizinhança e de solidariedade entre os moradores.

Exemplos que poderiam ser replicados em tantas outras cidades, especialmente aquelas que carecem de estruturas de lazer e convivência para seus habitantes.

Cidades como Itapoá complementando os cenários naturais existentes. Lugares como o point dos surfistas na Terceira Pedra, a pista de skate no Calçadão, e outros que poderiam ser criados em conjunto com a população.

Certamente o espaço público seria conservado e protegido. A cidade cuidada, bonita e valorizada.

Diz a canção: Se essa rua, se essa rua fosse minha… eu mandava, eu mandava ladrilhar… com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes… para o meu, para o meu amor passar…

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