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Teste da UFPR pode auxiliar prefeituras e comunidades contra a covid

Coleta de amostras em comunidades indígenas. Foto: professor Alexander Welker Biondo

Os testes imunológicos para detecção de covid-19 desenvolvidos no Laboratório de Microbiologia Molecular da UFPR Litoral estão sendo aplicados em vários projetos de pesquisa e com diversas populações.  

Segundo o professor Luciano Huergo, coordenador do projeto, a técnica desenvolvida terá uma ampla gama de aplicações no futuro inclusive para investigar outras doenças.  Ao longo do estudo o ensaio já foi aperfeiçoado e hoje é aplicada uma versão que tem capacidade de processar até 96 amostras fornecendo resultado em cerca de 7 minutos o que é uma grande vantagem em relação às técnicas disponíveis. 

Dentre as milhares de amostras já processadas, o pesquisador ressalta alguns projetos que estão sendo desenvolvidos em colaboração com outros pesquisadores: “A maior parte das amostras são de um projeto conjunto entre a UFPR, Hospital Erasto Gaertner e a Fiocruz com pacientes de câncer”. O pesquisador revela que tem interesse em avançar com a tecnologia para detecção de outras doenças: “Usar a metodologia para investigar dengue será o próximo passo, já estamos estabelecemos as parcerias necessárias para isto.”

Em outro projeto, coordenado pelo professor Alexander Welker Biondo, do Departamento de Medicina Veterinária UFPR, estuda-se a resposta imunológica da covid-19 em comunidades indígenas, incluindo comunidades do litoral. 

“Também estamos trabalhando para levantar a incidência da covid-19 na população no Litoral do Paraná e na cidade de Toledo, através de projeto coordenado pela professora Kadima Teixeira da UFPR Toledo”, informa Luciano Huergo. 

“Cerca de 800 amostras já foram analisadas no litoral e os dados estão sendo compilados a fim de obter um panorama da evolução da doença e da presença de anticorpos na população”, informa. “Podemos observar uma evolução da doença com cerca de 7% das amostras analisadas positivas em 2020 positivas. Já em 2021 cerca de 9% das amostras coletadas são positivas. Em alguns grupos específicos de trabalhadores, em especial daqueles que permaneceram em trabalho presencial durante a pandemia, a incidência chega a mais de 18%”. 

Conforme Huergo destaca, o teste de IgG tem um aspecto importante que é a capacidade de detectar casos assintomáticos. “Detectamos soro conversão em voluntários que estamos acompanhando desde 2020, eles relatam que não apresentarem quaisquer sintomas, mas tiveram casos confirmados por PCR no núcleo familiar.”

“O laboratório está aberto à colaboração com outros projetos de pesquisa e instituições públicas. Estamos tratando com as prefeituras do Litoral (Matinhos e Guaratuba) para testagem em maior escala da população em geral”, conta o pesquisador.

Uma oferta de transferência de tecnologia continua aberta para possíveis parcerias com o setor produtivo. O pesquisador comenta que um dos gargalos da técnica ainda é a falta de um sistema robotizado para realizar a automação das análises, isto facilitaria muito a aceitabilidade do teste pelos usuários finais. “Estamos abertos a parcerias com pessoas interessadas em auxiliar nesta questão”.

Infelizmente o teste desenvolvido ainda tem destino exclusivo em pesquisa e não pode ser usado como diagnóstico oficial: “Infelizmente não temos condições de registrar um produto na Anvisa por questões de infraestrutura e financeira”. Porém, o pesquisador ressalta que há possibilidade de laboratórios de análises clínicas usarem o teste, caso seja realizada uma validação in house da metodologia.

A escassez de recursos ainda é um fator limitante para o desenvolvimento das pesquisas mais avançadas. Outro fator é a equipe reduzida, a maior parte do trabalho e das análises é desenvolvida pelo professor Luciano e um aluno de iniciação científica; e com a volta às aulas o ritmo de trabalho no laboratório fica bastante comprometido. 

“Temos agora um projeto de extensão aprovado para contratação de bolsistas de graduação interessados em participar destas ações”, informa o professor. (http://www.litoral.ufpr.br/portal/blog/noticia/projeto-de-enfrentamento-ao-covid-19-ufpr-litoral/).”

Leia a reportagem completa no site da UFPR Litoral

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