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Derrota na Câmara derruba pré-candidatura de Roberto Justus que já cambaleava

Ex-prefeito tentava herdar votos do pai, o ex-deputado estadual Nelson Justus, que ficou como suplente na última eleição

Imagem de vídeo de divulgação

A Câmara Municipal de Guaratuba decidiu, nesta sexta-feira (10), pela rejeição das contas de 2023 do ex-prefeito Roberto Justus, em uma expressivo resultado: 9 votos a 4. 

Conforme o parecer da Comissão de Finanças, a rejeição se deu porque o ex-gestor deixou de repassar cerca de R$ 5,4 milhões ao Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município (Guaraprev) em 2023. Essa e outras irregularidades foram apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado do Paraná que, no entanto, deu parecer pela aprovação da prestação “com ressalvas”. O parecer da Câmara foi mais rigoroso e defendeu a rejeição das contas. Foram necessários 9 votos (2/3) para derrotar o parecer do TCE.

Votaram a favor do parecer os vereadores Cátia Regina Silvano, Diego Correa, Edna Castro, Juliano Petruquio, Marcio Tarran, Ricardo de Borba, Sandra Bertipaglia, Wallace de Aguiar e Zaqueu Clarinda Ratatui. Os quatro votos contrários foram de Felipe Puff, Maria Batista, Ricardinho de Macedo e Adriana Fontes. O resultado será encaminhado ao TCE e ao Ministério Público do Estado do Paraná.

A votação representa uma derrota contundente para o ex-prefeito. Com a rejeição das contas, Justus passa a enfrentar a inelegibilidade para a próxima eleição, conforme a legislação vigente, o que sela o fim de sua pré-candidatura a deputado estadual. 

Roberto Justus deve recorrer da decisão e também tentar não ser enquadrado como inelegível na Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar nº 135/2010). Mas sua postulação já enfrentava dificuldades antes mesmo do julgamento desta sexta-feira. Em primeiro lugar, sua ambição se baseava na tentativa de herdar os votos do pai, Nelson Justus, que na última eleição ficou apenas na suplência. 

Em segundo, um ex-prefeito que não conseguiu eleger o sucessor, Roberto é um completo desconhecido fora do Litoral e não goza de popularidade nem mesmo na região.

Nelson e Roberto acompanharam a votação ao lado de parentes e uns poucos correligionários. Roberto deixou o local xingando os vereadores.

O impacto da votação vai além do jurídico e redesenha o cenário político local. A rejeição das contas sinaliza o enfraquecimento definitivo da influência do grupo político ligado a Justus, que por anos deteve o protagonismo na cidade. 

Por outro lado, o prefeito Maurício Lense sai fortalecido, consolidando sua posição como principal liderança política de Guaratuba. O desfecho também projeta o deputado estadual Denian Couto, representante do município, que consolida seu espaço e influência.

A votação marca, portanto, um ponto de inflexão na dinâmica política de Guaratuba, com reflexos diretos nas próximas disputas eleitorais.

Poucos minutos antes da sessão, nas proximidades da Câmara, Roberto usa dois telefones, em uma ligação | foto: Colaboração
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