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Afoxé Filhos de Iemanjá transforma o Centro Histórico de Paranaguá em aula de história, fé e resistência cultural

A 8ª edição do Afoxé Filhos de Iemanjá reuniu centenas de fiéis, turistas e simpatizantes, consolidando o evento como um dos principais marcos do resgate da memória escravagista e da valorização das religiões de matriz africana na chamada Cidade-Mãe do Paraná
Fotos: Moyses Zanardo

Cores vibrantes, o som marcante dos atabaques e uma profunda conexão espiritual tomaram conta do Centro Histórico de Paranaguá no último sábado (7). A 8ª edição do Afoxé Filhos de Iemanjá reuniu centenas de fiéis, turistas e simpatizantes, consolidando o evento como um dos principais marcos do resgate da memória escravagista e da valorização das religiões de matriz africana na chamada Cidade-Mãe do Paraná.

O cortejo percorreu ruas seculares da cidade e promoveu uma verdadeira imersão nas raízes afro-brasileiras, unindo fé, cultura e educação histórica em um espetáculo a céu aberto.

Intercâmbio cultural e espiritualidade

Além do grupo anfitrião, o evento contou com a participação do Tambores do Paraná e do Maracatu Omo Omi, de Matinhos, fortalecendo o intercâmbio cultural entre diferentes expressões da cultura afro-brasileira.

A diversidade do público chamou a atenção da organização. Caravanas vindas de Sarandi (PR), que percorreram cerca de 800 quilômetros, grupos de Santa Catarina e turistas internacionais da Argentina e da Itália acompanharam os benzimentos realizados na Igreja de São Benedito e seguiram o cortejo pelas ruas do Centro Histórico.

Teatro, memória e emoção na Praça do Pelourinho

Um dos momentos mais marcantes desta edição foi a encenação teatral realizada na Praça Pires Pardinho, conhecida como Praça do Guincho ou Praça do Pelourinho. Com figurinos cuidadosamente elaborados e uma narrativa impactante, o grupo de teatro do Afoxé emocionou o público ao representar personagens históricos e espirituais ligados ao período da escravidão e à ancestralidade africana.

Segundo o Dr. h.c. Lederson Souza, presidente do Afoxé Filhos de Iemanjá, a apresentação foi um dos pontos altos do evento.

“Tivemos uma encenação fantástica, com a presença do feitor, da pessoa escravizada e dos Orixás. Foi uma verdadeira aula a céu aberto sobre a nossa construção como sociedade”, destacou.

Entidades simbólicas das religiões de matriz africana, como Zé Pilintra, também foram representadas, aproximando o público da história, da mística e da importância cultural dessas figuras. A organização das alas também inovou, com destaque para a Ala Infantil, a Ala de Iemanjá e a tradicional Ala das Baianas.

Adaptações e próximos passos

Apesar do sucesso das apresentações e da entrega dos presentes a Iemanjá por meio das embarcações, o encerramento do evento precisou ser adaptado. Um alerta da Defesa Civil, devido à virada brusca do tempo, levou ao cancelamento do show da cantora Juliana Passos, por questões de segurança.

A organização informou que a artista deverá retornar a Paranaguá em nova data, ainda a ser definida, para realizar a apresentação que ficou pendente.

O balanço geral da 8ª edição foi considerado extremamente positivo. O comportamento do público foi exemplar, reforçando o caráter pacífico, educativo e cultural do Afoxé. Para o próximo ano, a expectativa é ampliar estratégias conjuntas para que a mensagem de resistência, fé e valorização da cultura afro-brasileira alcance um público ainda maior.


Fonte: PMP / jornalista: Ceres Martins

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