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LEC registra aumento preocupante de botulismo em gaivotas no Litoral do Paraná

A intoxicação é causada nas aves por ingestão de toxinas produzidas por bactérias que podem estar presentes em alimentos em decomposição e água poluída. A substância intoxicante não é transmitida entre aves e humanos.

A equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná (LEC-UFPR), via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) registrou um aumento nos casos de intoxicação por botulismo em gaivotas (Larus dominicanus) no litoral do Paraná. 

Conforme dados de anos anteriores, o aumento é esperado no verão, quando as temperaturas estão mais altas e há grande quantidade de pessoas nas praias, resultando em um aumento significativo na quantidade de alimentos descartados inadequadamente na areia. 

No entanto, os resgates de gaivotas realizados no mês de dezembro de 2023 evidenciam que o impacto na saúde das aves marinhas já é maior na temporada 2023/2024 que nas anteriores, além dos registros de casos terem iniciado mais cedo.

Em dezembro de 2023, o Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise de Saúde de Fauna Marinha (Cred), coordenado pelo LEC/UFPR, atendeu 15 gaivotas vivas e debilitadas, sendo que 13 apresentaram sinais clínicos sugestivos de intoxicação por botulismo. Já durante os três meses da temporada anterior, entre 1º de dezembro de 2022 e 28 de fevereiro de 2023, um total de 15 gaivotas demonstraram sinais semelhantes.

Foto: Rafaela Moura

Lixo que mata

De acordo com o médico veterinário e responsável técnico do PMP-BS/LEC-UFPR, Fábio Henrique de Lima, o aumento do número de casos em relação ao ano anterior pode estar relacionado às temperaturas ainda mais altas provocadas pelo El Niño e pelos efeitos mais intensos das mudanças climáticas: “Quanto mais quente, mais rápida é a decomposição da matéria orgânica, aumentando as chances de contaminação pela toxina da bactéria que causa o botulismo.”

A intoxicação pela bactéria Clostridium botulinum ocorre pela ingestão de alimentos em decomposição ou água contaminada. As gaivotas, ao se alimentarem dos restos de comida deixados nas praias, acabam sendo expostas a este quadro. 

Os sinais clínicos relacionados à intoxicação incluem paralisia dos membros inferiores e outras manifestações neurológicas, como tiques e movimentos anormais de cabeça, além de diarreia e vômito. Trata-se de uma condição grave que pode levar à morte das aves, porém, se tratada em tempo hábil, pode ser revertida. A substância intoxicante não é contagiosa e não é transmitida entre aves e humanos.

Para reduzir a exposição das aves marinhas e minimizar a ocorrência de casos de botulismo, é importante que a comunidade esteja sensibilizada sobre a importância de descartar corretamente o lixo, preferencialmente levando os resíduos de volta para casa para destinação correta. 

Garantir um ambiente saudável para as espécies que compartilham o ecossistema marinho é responsabilidade de todos.

No vídeo acima, a administração de carvão ativado em gaivota feita no Cred pala equipe do LEC.

Caso encontre animais marinhos encalhados (vivos ou mortos), comunique a equipe do PMP-BS/LEC-UFPR pelo 0800 642 33 41. Providencie sombra para os animais vivos até a chegada do resgate especializado.

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, essa condicionante é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

Fonte, fotos e vídeo: Rafaela Moura/LEC/UFPR

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